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Publicado por em jan 30, 2016 em Bispo Inaldo Barreto, Blog, Notícias, Sem categoria | Ninguém comentou

A ARMADILHA DO LITERALISMO

A ARMADILHA DO LITERALISMO

APOLOGÉTICA VII

 

“E agora, matem todos os meninos, entre as crianças, e toda mulher que já se relacionou sexuxalmente com um homem. Contudo fiquem com as jovens que não se relacionaram sexualmente” (Nm 31. 17-18)

Um título de um livro que demonstra muito bem o que o literalismo representa foi publicado pela editora: “Oxford University Press) “The snares of literalism” ( As armadilhas do literalismo).

Para começar vamos nos lembrar de uma história que talvez não passe de uma história daquelas que só serve para ilustrar um pensamento. Conta-se que Orígenes (185-253), leu o texto: “Se o teu olho direito te leva a pecar, arranca-o e lança-o fora de ti; pois te é mais proveitoso perder um dos teus membros do que todo o teu corpo ser lançado no inferno” (Bíblia King James Atualizada). Pois bem, diz-se que Orígenes se tornou eunuco, isto é, castrou-se para não pecar. Mas muitos acreditam que não passa de uma história e nada mais.

O fundamentalismo em todas as religiões tende a uma interpretação literal dos textos que eles reverenciam. Uma pesquisa feita pelo instituto Gallup em 1980 encontrou nas entrevistas um número interessante, 40% dos americanos reivindicam acreditar que a Bíblia é a atual Palavra de Deus e é tomada literalmente, palavra por palavra. Similarmente a maioria dos muçulmanos não só os que se declaram islamitas ou militantes, mas todos de uma forma geral declaram que o Alcorão é a Palavra literal de Deus, e que foi ditada para o Profeta Maomé através do anjo Gabriel (Jibreel). Desde o terceiro Califa Uthman que reinou de 644 até 656 d.C, que o texto é considerado perfeito, completo e inalterado. Para os mestres muçulmanos em geral, o estilo crítico histórico que ver a linguagem humana na construção do texto refletindo o conhecimento humano é preconceito do tempo moderno, e, constitue um anátema.

Os fundamentalista cristão afirmam que toda Escritura foi inspirada e portanto “ditada”, da mesma forma os muçulmanos afirmam que o Alcorão foi ditado para o profeta Maomé pelo anjo Gabriel.

Um dos grandes absurdos dos fundamentalistas é afirmar que as Esctrituras são infalíveis com referência á Ciência e a tudo mais, da mesma forma o muçulmano. E a Igreja condenou Galileu por causa do fundamentalismo, mandou para fogueira Giordano Bruno, filósofo padre dominicano no Campo de Fiori, 17 de fevereiro de 1600. Em Genebra foi para fogueira, Miguel Cerveto esse foi queimado pelas autoridades protestantes no ano de 1553. Assim o literalismo é intolerante com todos e de todas as formas.

Esse dogma em nada ajudou a pacificar o mundo, por causa dos textos violentos tanto aqueles que fazem parte da Bíblia como os que fazem parte do Alcorão. Todas as guerras religiosas se deram por conta do literalismo. Quando o canôn foi considerado completo com os Quatro Evangelhos o literalismo não predominou, pois sendo diferentes não comprometem a essência da mensagem, o fato fica icólume e a letra demonstra as diferenças. Portanto não seguimos a letra mas as Boas Novas.

Quando os fundamentalistas afirmam que todo o Pentateuco foi escrito por Moisés, surge a dúvida quando ele mesmo relata a sua morte no livro: “Portanto, mosheh, o servo de Adonai, morreu ali na

terra de Mo´av, como Adonai disse. Ele foi sepultado no vale diante de Bei-Por, na terra de Mo´av, mas até o dia de hoje, ninguém sabe o local de seu túmulo. Mosheh tinha 120 anos de idade ao morrer; ele enxergava muito bem e ainda possuía vigor” (Dt 34, 5-7).

Do lado islâmico nem precisa falar muito, basta ver o que fazem alguns fundamentalistas quando interpretam os textos violentos, atos terrorista na França, Bélgica, Argentina, Estados Unidos, inglaterra, Itália e em muitos outros lugares atestam a interpretação literal. Para eles são atos de fé que levam os fiéis aos braços de Maomé, ou para um Harém, essa é uma religião muito sensual e “não tem o Espírito”.

É portanto uma armadilha o literalismo seja lá onde for praticado. A Leitura da Bíblia só pode ser feita com segurança na ótica hermenêutica de Jesus, “Eu porém vos digo”.

Por isso que não se pode atribuir a Orígenes uma interpretação literal, ele de forma alguma se castrou para não cometer pecado relacionado ao sexo. Porque ele não fazia essa interpretação ao pé da letra. Pelo contrário ele recomendava uma interpretação eclética, nos textos que provocavam grandes dúvidas e atribui a Deus o mal, ele recomendava fazer uso das metáforas e alegorias. Alegoria é uma figura de linguagem, Metáfora é o uso de uma palavra com um sentido figurado, exemplo: “Aquele que confia no Senhor é como o Monte de Sião que não se abala, mas permanece para sempre”. Uma alegoria geralmente uma narrativa imaginária em que se personifica coisas, animais apontando em cada detalhe um valor símbólico. Uma parábola é uma narração alegórica com um conteúdo moral, por exemplo: “A Parábola do Filho Pródigo”, “A Parábola da Vinha” e muitas outras.

A maioria das igrejas, e muito as paróquias protestantes afastada do mundo da cultura, para sobreviver tem que se ater à letra, quanto menos estudo melhor, quanto mais o povo for ignorante; mais fácil para se vender “vassouras ungidas” “sabão do lavandeiro”, “sal grosso”. Etc.

Os discípulos da letra temem o líder, e também as letras, condenam o conhecimento, e muitos se auto-denominam pastores e até bispos para conduzir o rebanho de acordo com a letra. A Letra mata e mata muito mais pela igrnorância da letra do que pela própria letra. O que é a letra? O texto do Antigo Testamento que é usado de alguma forma para conduzir a vida do crente em alguns casos é a mera aplicação da letra. E se alguém for seguir à letra irá cometer crime inafiançável, será preso. Paulo então exortou aos coríntios: “Ele nos tornou aptos para o trabalho da Nova Aliança, cuja essência não é um texto escrito, mas o Espírito. Porque o texto traz morte, mas o Espírito concede vida” (2ª Co 3.6-B.Judaica) A exegese do Antigo Testamento até a chegada de Cristo tinha a força da própria hermenêutica, o texto era a Lei, e sempre se dizia: “Está escrito”….Jesus perguntava: – “Como está escrito na vossa Lei?” e acrescentava: “Eu porém, vos digo”.

As profecias que faz surgir o movimento fundamentalista vem desde a elaboração do Pentateuco, por isso a elite judaica encerrou o período profético considerando “verdadeiros” livros proféticos e inventaram a teoria segundo a qual o período persa marca o fim da profecia inspirada. Mas isso não está escrito em lugar algum da Biblia. Eles simplesmente não queriam mais o regime dos profetas, e encerraram esse período.

OS gregos usavam um templo famoso em Delfos para iludir o povo com suas profecias, selecionavam moças gregas bonitas que seriam as Πυθία, pitia, de onde vem a palavra “pitonisa”, o

espírito de adivinhação entrava por baixo da saia das moças, era tudo muito sensual, e elas “profetizavam”, um dia um esperto raptou uma pitia donzela e os sacerdotes para se prevenir começaram adotar senhoras com mais de 80 anos e ninguém mais quis saber das profecias. Cairam em descrédito. Mas dizem que na entrada do Templo estava escrito: [“γνωθι σεαυτόν ” Conhece-te a ti mesmo”. Foi o que se salvou de toda armação dos sacerdotes. Se um homem sábio se dirigisse a Delfos leria a inscrição na entrada e voltava para a sua casa para refletir, e, não entraria numa fria. Se hoje o líder escrevesse na porta do Templo: “Antes de entrar nesse recinto recomendamos: “Procure primeiro conhecera si mesmo”. “Você pode dá o seu dízimo e a sua oferta, mas ela não pode salvar a sua alma”. Muitos mudariam de opinião, iriam fazer um exame de consciência para então ofertar livremente.

No Novo Testamento e de lá para cá, quando as profecias não são depuradas, estudadas e testadas causam muito transtorno principalmente com a ideia de fim do mundo. E todo movimento que se apega a essa ideia vira uma seita em pouco tempo. É fácil dizer: “Jesus está voltando!” e procurar a Besta na Igreja Católica.

Literalmente pegam textos, se esquecem que o texto mata e procuram preencher todos os espaços deixados por essas letras com fatos escolhidos cuidadosamente para fazer o cumprimento, assim fizeram os Testemunhas de Jeová. Por isso que o texto mata. Quando alguém anuncia: “Escatologia” “Jesus está voltando”, pode acreditar que muita coisa é baseada em falsos profetas. Se você quiser fazer um estudo sobre o Advento leia o que Orígenes escreveu sobre isso. Depois olhe à sua volta. Aprenda esperar.

Muitos mestres nem se importam com os falsos profetas, estimulam a Igreja e desde que resulte em números fica tudo como se fosse, puro, santo e bom. Sagrado.

Orígenes quando quis mostrar o advento não usou o livro de Apocalipse porque não era canônico, só bem depois lá por volta de 313 d.C é que esse livro se torna reconhecido como inspirado. Existiam outros apocalipses que eram lidos nas reuniões, Apocalipse de Pedro, O Pastor do eminente cristão Hermas

Já li noticiário que um pai exigiu que a filha se casasse com o estuprador porque de alguma forma ela se fez um só corpo com o bandido. A filha chorou, não queria, mas obedeceu, o marginal depois de algum tempo assassinou a jovem. Entre muçulmanos eles assassinam a jovem que for estuprada, enforcam em praça pública. Eles mesmos estupram e depois religiosamente assassinam. É tudo religião de acordo com a letra do Alcorão. mas na história de Maomé consta que tudo começa com o sexo entre eles e suas mulheres.

Seitas geralmente nascem da bibliolatria e essa nasce do literalismo, muitos acham que não houve alteração nem no original nem nas cópias, e que tudo o que temos é absolutamente inspirado sem nenhum acréscimo, o próximo passo é admitir que a Bíblia é a “Palavra de Deus pura”, e com essa concepção se implantar toda forma de heresias e divisões, a ponto de cada versículo se transformar numa seita. No meado do século XVIII, Voltaire dizia que, “Na Inglaterra o homem se salva conforme seu gosto, escolhendo a seita que melhor lhe convém”.

Quando você é livre e não se fixa em dogmas vulneráveis não corre o risco de ser enredado por uma seita, ou pelo movimento minúsculo de igrejas autônomas de santos que nunca conseguem provar

que o são. Vamos precisar falar do dogma para que não fique uma dúvida sobre o assunto, pois bem. O dogma é uma necessidade. O dogma como disse Gilbert Keith Chesterton: “confere ao homem liberdade em excesso quando permite que ele caia” Isto é, a queda é um mistério difícil de se explicar. Chesterton continua: “O dogma confere até mesmo a Deus liberdade em excesso quando permite que ele morra”. Os céticos acham que o dogma é ruim, e que é bom demais para ser verdadeiro.

Mas o dogma confere à religião o sentido misterioso, toda religião necessita de dogma, porque se tudo for explicado deixa de ser religião. Os Testemunhas de Jeová tentam explicar tudo e perde o caráter misterioso da Igreja. A Trindade é um dogma e precisamos dele, porque não temos como explicar, apenas cremos.

O dogma é a parte mais liberal da Teologia, ele é “incrivelmente liberal”, o homem que crer é um homem livre, esse é um dogma, ele pode até negar a própria liberdade. O homem livre afirma crer no transcendental e isso é plena liberdade.

Chesterton faz uma metáfora conhecida por, “Metáfora do esquilo”. “O homem cortam as asas, prendem o esquilo, soldam as correntes e recusam a liberdade, fecham atrás nós todas as portas da prisão cósmica e com um clangor de ferro eterno, dizem que nossa emancipação é um sonho e nossa masmorra uma necessidade – e depois calmamente viram as costas e nos informam que eles tem um pensamento mais livre e uma teologia mais liberal”. Abandonam o povo à sua própria sorte, simplesmente declaram que esse povo não escolhido é escravo do pecado e assim será por toda a eternidade.

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