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Publicado por em set 20, 2015 em Bispo Inaldo Barreto, Blog, Notícias | Ninguém comentou

A CURA DO HOMEM QUE TINHA A MÃO MIRRADA

A CURA DO HOMEM QUE TINHA A MÃO MIRRADA

Mc 3.1-6

O texto de Marcos, o (proto-evangelho) fala que Jesus entrou na Sinagoga como era do seu costume. Vamos começar com uma pergunta: – Você tem o bom costume de ir à igreja? A Bíblia de Jerusalém, consta: “E entrou de novo na sinagoga”. De novo, “palin” ocorre mais de vinte vezes no Novo Testamento, e se traduz como, de novo, outra vez, uma vez mais. Usado para resposta, um réplica, “eles gritaram de novo” (Mc 15, 13). Numa resposta, “respondeu-lhes Jesus: Também “palin” estar escrito (Mt 4.7).

No texto em questão, “palin” é: “de novo”, então era costume de Jesus ir à Sinagoga, muitos pensam que não. Mas ele como um Rabino judeu frequentava a Sinagoga, era o lugar ideal para se expor uma ideia, apresentar uma nova exegese, e isso Jesus fazia muito bem. E fez de novo.

Ele entra na Sinagoga e todos olham para Ele, muitos adversários lá estavam à espreita para atacar, queriam um motivo para acusá-lo. Apegados à Lei de Moisés e não tendo espaço na mente para as boas novas, nada mais viam, nem ouviam. Esperavam o momento certo para levantar o povo contra Jesus.

O homem com a mão atrofiada não podia trabalhar, consta em um apócrifo que esse homem trabalhava com pedras, e deve ter machucado a mão e terminou perdendo os movimentos, Lucas fala que era a mão direita, a mão operacional, em tudo usamos a mão direita com mais frequência e por ser mais rápido, mais útil.

Jesus poderia curar aquele homem em um lugar escondido, poderia ter levado ele para fora da Sinagoga, mas não foi isso que fez. Ele chama o homem para o centro, e ordena: ‘Estende a mão”, e o homem fez isso. Será que ele movimentava o braço livremente ou não? Seja como for ele estendeu o braço. Foi corajoso, perdeu o medo, não se intimidou.

O texto fala que Jesus ficou entristecido pela dureza do coração deles, isto é, dos judeus que estavam na Sinagoga, algumas versões fala, “condoído com a dureza do seu coração”, (5). Mas a BJ traduz o texto original da melhor forma: “entristecido pela dureza do coração deles”, isto é, dos fariseus, essa é a tradução correta, já que o pronome, αυτων “auton” com a vogal òmega indica plural de ele. A versão KJV traduz correto, ” being grieved by the hardness of their hearts”. Interessante que “grieve” indica que a pessoa sentiu um aperto, uma decepção, um sentimento de perda, “sorrow, mental distress” (tristeza, sofrimento mental). Uma humanidade visível. Alí estava o Messia, humano e divino pelo ato que acabara de praticar. La Sainte Bible: “affligé de l´endurcissement de leur coeur” (aflito com a dureza de seus corações).

Qual a importância de saber se era os corações deles, ou o coração dele? Deles se refere aos fariseus que estavam ali de má fé. E dele seria uma referência ao coração do homem enfermo, o que não corresponde com a realidade do fato, já que o homem se levantou e correu para o meio, “Levanta-te e vem aqui para o meio”. Olha o fato: O homem acanhado sentado escondendo a mão,

olhando de lado, cabeça baixa. Naquele momento ouve-se um borbulhinho: “olha! É ele, aquele carpinteiro” outros diziam: “ele sofreu um acidente e machucou a mão direita, não pode mais trabalhar”.

Diz o texto e é comum no Evangelho de Marcos, que “Jesus ficou irado”, é aquela ira, οργή “orgê” (apesar do acento aberto a pronúncia é fechada”; às vezes encontramos: οργής (orgeis). Seja como for, essa é a ira considerada pelos melhores teólogos como a “ira firmada na vontade e na razão”. Não era fúria emocional.

Jesus era humilde, mas era valente, isto é, não era fraco, não tinha medo da oposição, João Wesley enfrentou turba na Inglaterra que costumava perseguir os metodistas.

Jesus então, faz uma exegese bem rápida, sem muito rodeios como era o seu costume, aplicou a tese da seguinte forma: ” É legal fazer o bem ou o mal num dia de Sábado?” “Salvar a vida ou destruir a vida?”.

Jesus fala se é permitido, então se traduz na KJV, como: “Is it lawfull on the Sabbath to do good or to do evil, to save life or to kil?” Lawfull (permitido por lei) ou plenamente legal.

Como na Lei se previa fazer o bem no Sábado, no caso de alguém correr risco de morte ou coisa semelhante, eles que estavam ali de “má fé”..Ficaram calados. “But they kept silent”. (guardaram silêncio). Era permitido sim, fazer o bem. Foi uma comparação entre o “kako” aquilo que é ruim, e o “agatos” aquilo que era bom.

Quando se fala de cura na Igreja muitos teólogos acham que o dom de cura como se apresenta nessa ocasião, não existe mais.

A Bíblia de Estudo de MacArthur enfatiza a suposta temporalidade de alguns dons, para ele, dons de cura, de milagres, e de línguas são temporais. Não existem mais! Esses são os que ele mais implica com sua teologia da incredulidade, para ele são dons temporais.

Temendo se pego no contrapé ele tenta induzir o crente a não buscar os dons, já que para a doutrina parcialmente racional de MacArthur isso é incongruente.

Convicto da sua doutrina ele diz: “Dons de curar, milagres, linguas e interpretação” são dons de manifestação temporária, e depois ele diz “Paulo ressalta que os dons não devem ser buscados, mas recebidos pelo Espírito como lhe apraz”.

Nesse ponto ele contradiz a si mesmo quando concorda com Paulo, mas ao mesmo tempo discorda. Paulo diz: “Procurai, com zelo, os melhores dons” (12.31). Então, MacArthur reune todas as suas forças para dizer o que Paulo não disse. Para ele o verbo que conduz a frase é meramente indicativo.

De fato a frase é recomendativa está no indicativo, ζηλουτε δε τα χαρισματα τα μειζονα., mas o indicativo não é proibitivo, muitos teólogos mesmo sendo conservador, traduz como sendo um imperativo presente, e no caso tem o sentido de “continuai a procurar”; alguns teólogos traduz o texto dessa forma: “Sede zelosos na busca dos dons espirituais”, ou então: “Esforçai-vos por buscar os dons espirituais”. Se Paulo quisesse dizer o que MacArthur diz, diria diferente, “não busqueis os dons” “esperai pacientemente”, ou “esperai, quem tiver que receber receberá”..Ele teria introduzido a doutrina da preguiça espiritual que costuma dominar os cristãos sossegados.

Voltando ao texto, vamos entrar de novo na Sinagoga. O homem se levanta e vai para o centro, e obedece, sua mão é curada. Imagino que as pessoas ficaram estupefatas, não era comum, ninguém curava assim, ninguém curava essas enfermidades todas. Era um sinal messiânico. Isaías profetizou isso. Esse sinal indicava que ele era o Messias.

O homem ficou curado para trabalhar com suas próprias mãos. E os fariseus que a essas alturas dos acontecimentos haviam se tornados inimigos de Jesus, sairam em busca do apoio dos Herodianos conspirando a morte dele.

Os Herodianos eram judeus simpáticos a Herodes, eram políticos desse partido, pode ter certeza que não tinham nenhum registro, mas era um partido político que apoiava Herodes. Não eram tão amigos dos fariseus, mas se uniram para conspirar. Os fariseus devem ter enchido a cabeça dos herodianos sobre a ameaça ao reino de Herodes, Jesus foi desenhado pela mentes doentias deles como um homem perigoso. A disposição deles ficou bem registrada: “os fariseus e os herodianos imediatamente conspiraram contra ele como o destruiriam”. O texto original fala de destruição, era uma forma forte, impiedosa, uma forma política, “destruir alguém”. Desse verbo surge o Destruidor, Apolion.

Enfim Jesus foi odiado como dizoa a profecia: “Me odiaram sem motivo”, incrível como o cristão é odiado pelo bem que faz. Essa inversão psicológica é um trabalho do diabo.

Conclusão:

Jesus é o mesmo ontem, hoje e eternamente. E a Igreja é o lugar onde ele se manifesta como sendo ele mesmo, que salva, que cura e batiza com o Espírito Santo.

Bispo Primaz I.f. Barreto

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