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Publicado por em set 5, 2015 em Bispo Inaldo Barreto, Blog, Notícias | Ninguém comentou

O Líder Muçulmano

O Líder Muçulmano

 

A pedido de um amigo passo a responder a propósito desse vídeo que considero extraordinário:

O líder muçulmano foi sábio, educado, e literalmente bíblico, demonstrou um conhecimento acima da média.

Penso que foi na verdade algo combinado, a moça cristã, faz a pergunta e ele responde de “bate-pronto”.

Agora vamos ao debate das ideias, como disse achei formidável. Primeiro fica claro que o sábio muçulmano é literalista como costuma ser todos os outros muçulmanos, e o literalismo é o grande obstáculo a se superado, por ser literalista se torna ao mesmo tempo fundamentalista, e o fundamentalismo é a interpretação “ípsis lítèris” dos textos, sejam eles do Evangelho, da Torá ou do Alcorão.

A questão da divindade de Cristo foi levantada de forma sábia pelo líder muçulmano, de fato, todos concordam que Jesus não se levantava pela manhã e ao ver o Sol nascer falava para si mesmo, “Sou Deus”, e saia de casa com esse pensamento. Então precisamos agora discutir brevemente o que significa a divindade de Cristo.

O teólogo e filósofo, Bart D. Ehrman escreveu recentemente um livro intitulado: “Como Jesus chegou a ser Deus”, ainda não tenho esse livro. É um título ousado, mas bem apropriado para o tempo em que vivemos, com tanta polêmica sobre tudo, esse assunto não iria ficar de fora da mesa do debate.

“Nessa época, era crença difundida entre os pagãos que os deuses não eram sujeitos a emoções inferiores e a caprichos de meros mortais. Acredita-se que eles estavam, de fato, acima destas coisas” (Inventing superstition) por Dale B. Martin, da Universidade de Cambridge.

Como, então, era possível determinar se um indivíduo era ou não um ser divino? Obviamente, ele teria de exibir poderes (intelectuais ou físicos) que fossem sobre-humanos; mas ele também precisava se comportar de modo compatível com a pretensão de ter origem no domínio divino. No Evangelho de Marcos temos um texto onde mostra que Jesus ficou “irado” e que isso era incompatível com a divindade a ele atribuida, mas se admite também que algum copista tenha alterado esse texto por causa da polêmica que havia entre pagãos e cristãos que debatiam sobre o fato de haver Jesus se conduzido de modo impróprio. Por isso nos textos mais recentes, logo no começo da Igreja, foi mudada a palavra “irado” para “com compaixão”.

De qualquer forma a cura dos leprosos era um ato físico de alguém com poderes sobre-humano.

O líder muçulmano desafia se alguém conhece um só versículo onde Jesus reivindique a sua divindade, de fato não se encontra um texto assim, um texto possivelmente alterado é onde diz que Jesus “era carpinteiro”, logo depois por motivo apologético, se altera para , “filho de carpinteiro” assim se conserva a sua divindade.

A profissão de carpinteiro, (tekton) era algo inferior, ele não era um rabino de modos nobres, vivendo em palácios, era um humilde carpinteiro, Origenes chega a afirmar que Jesus não fora chamado de

“Tekton” em nenhum lugar da Bíblia, eles acusavam dizendo que Jesus não podia ser Filho de Deus, porque era um mero Tekton, isto é, carpinteiro.

Quando Orígenes faz a defesa no seu livro, “Contra Celso” ele não tem a cópia do Evangelho onde diz que, “Não é este o carpinteiro, filho de Maria irmão de Tiago, José , Judas e Simão? e não vivem aqui entre nós suas irmãs?” (Mc 6.3). E isso foi motivo de escândalo.

Irineu de Lion (130-202) na sua apologia deixa claro sobre a origem de Cristo, muito embora não declare literalmente de forma muito clara logo no começo, mas depois e incisivo nesse particular. Vejamos:

“Eis a ordem da nossa fé, o fundamento do edifício e a base da nossa conduta: Deus Pai, incriado, incircunscrito, invisível, único Deus, criador do universo. Tal é o primeiro e principal artigo de nossa fé. O segundo é o Verbo de Deus, Filho de Deus, Jesus Cristo, nosso Senhor, que apareceu aos profetas segundo o desígnio de sua profecia e segundo a economia disposta pelo Pai; por meio dele foi criado o universo. E no fim dos tempos, para recapitular todas as coisas [o verbo] se fez homem entre os homens, visivel e tangível, para destruir a morte, para manifestar a vida e restabelecer a comunhão entre Deus e o homem. E como terceiro artigo o Espírito Santo, de cujo poder os profetas profetizaram, e os Pais (da Igreja) foram instruídos com relação a Deus, e os justos foram guiados no caminho da justiça, e que no fim dos tempos foi difundido de um modo novo sobre a humanidade, por toda a terra, renovando o homem para Deus”.

Depois de falar que, “o Verbo perfeito dirige pessoalmente cada coisa e legisla na terra; como primogênito da Virgem, homem justo e santo, servo de Deus, bom, aceito por Deus, perfeito em tudo, livra dos infernos todos os que o seguem; como “primogênito dos mortos”, é origem e sinal da vida de Deus.

Depois dessas palavras Irineu Bispo de Lion, acrescenta algo que demonstra a fé de que Jesus era divino: “Assim, pois, o Verbo de Deus ostenta o primado sobre todas as coisas, porque é verdadeiro homem e “Conselheiro-Maravilhoso,Deus-forte”, que chama novamente, com a ressurreição, o homem à comunhão com Deus, para que, por da comunhão, com ele participemos da incorruptibilidade”.

O líder muçulmano desafia um texto que fale diretamente que Jesus é Deus, ou um texto onde Jesus esteja falando que é Deus, mas de fato isso foi extraído por meio de uma hermenêutica, considerando que ele já existia, até o líder muçulmano acredita no nascimento virginal de Jesus Cristo, Cristo concebido por obra do Espírito Santo, o que é admirável, ele dizer isso publicamente, Irineu de Lion cita: “De fato o Filho existe desde o início, antes da criação do mundo”.

O líder muçulmano tem um comportamento semelhante ao Testemunhas de Jeová, ele diz que Jesus não pediu que ninguém o adorasse como Deus, mas eles adoraram sim, o leproso que agradeceu, e adorou. Também onde Jesus diz, “Eu e o Pai somos um” eles entenderam que ele se dizia divino e quiseram apedrejá-lo por blasfêmia.

É irineu que diz que, “Foi ele (o Verbo) que, na sarça ardene, conversou com Moisés: “Eu vi, eu vi a miséria de meu povo que está no Egito. Ouvi seu grito por causa dos seus opressores; pois eu conheço as suas angústias”

Irieneu avança na sua teologia e termina por confirmar a divindade de Cristo: “O Pai, então, é Senhor, e o Filho é Senhor, Deus o Pai e Deus o Filho, porque aquele que é nascido de Deus é Deus”.

Todo o povo cristão até a chegada de Constantino ja no terceiro século, adoravam a Jesus como Deus. Jesus já era reconhecido de forma popular como Deus Filho e assim era adorado. Não é o Concilio de Nicéia que determina essa verdade.

O muçulmano é semelhante ao Judeu na crença, não admite Deus Filho, é um absurdo, porque eles não aplicam a hermenêutica não consultam a história, por isso não acreditam e por isso o líder muçulmano desafiou a jovem cristã.

Ele faz duras críticas aos cristãos que não seguem a Cristo, por outro lado é tão literalista que inclue os costumes judaicos como, não comer carne de porco”, não “beber vinho” como a essência do islamismo e do cristianismo. Claro, ele não falou, mas a maneira como eles tratam as mulheres, não é a mesma maneira como Jesus tratav. Ele citou os evangelho, mas não ousou citar as cartas dos apostólos no que se refere à pessoa de Cristo, porque teria que concordar que os cristãos primitivos adoravam a Jesus como Deus. Os pais apóstolicos e alguns escritores fora da Igreja afirmavam que, “Eles os cristãos se reúnem e cantam louvores a Cristo como se fosse a Deus”. outros escritor por volta do ano 180 disse:”Eles adoram o Pai o FIlho e o Espirito Santo”. Até no meado do segundo século os escritores testemunharam que os cristãos adoravam o Deus Filho.

Ele afirma que todo muçulmano acredita em Jesus, mas ele faz séria restrições aos comentários dos evangelhos, considera apenas “o que vem em vermelho”, é como se acreditasse apenas na Fonte “Quelle”, nos “ditos de Jesus”. Considera Jesus no mais poderoso mensageiro de Deus, acredita até que é o Messias, o que nos deixa perplexo, se ele é o Messias, porque eles, os muçulmanos odeiam tanto os judeus, parece um pouco estranho, mas vamos lá.

A grande diferença é a mesma que os Testemunhas de Jeová admite que, Jesus não é Deus Todo-Poderoso, o que teria que admitir, assim como os TJ que, existe um Deus Todo Poderoso, e um deus não-todo poderoso. O absurdo de “dois deuses”.

Como ele não aceitou o movimento de Jesus do primeiro século onde Jesus é adorado como Deus, ele diz, que não existe um texto sem ambiguidade que afirme a divindade de Cristo, mas nós sabemos que os pais da Igreja, os crentes primitivos viviam e morriam crendo que Jesus era divino. E isso é uma prova posterior, mas é a prova definitiva de que Ele era Divino.

Ele trabalha com os mesmos versículos que usam os TJ, “O Pai é maior do que Eu” (João 14.28), não faz distinção entre humanidade e divindade, como ensinou Irineu de Lion, é o problema do literalismo que transforma o muçulmano em fundamentalista, e alguns cristãos também tem essa fraqueza pela letra, tomam literalmente os salmos como palavra proterora de que nenhum mal nos alcançará, etc.

Ele até usa os textos fortes do pentecostalismo, “Expulso os demônios pelo dedo de Deus”, querendo dizer, Que não é Deus, mas que apenas é usado por Deus, é aplaudido quando diz que , “O filho não pode fazer nada se não vier do Pai”, etc. E acrescenta que qualquer pessoa que não busca a sua vontade, mas a vontade do Pai é um muçulmano”. Essa é a crise que começou nos Estados Unidos onde a religião muçulmana deve crescer e muito. Ele afirma para os cristãos que Jesus está perto de ser um muçulmano. Ele usa o texto de Atos, “Jesus de Nazaré, um homem aprovado por Deus entres vocês” (Atos 2.22).

Ele dá ênfase aos costumes judaícos a que Jesus estava obrigado, circuncisão, etc, mas Jesus mesmo disse que uma Nova Aliança estava começando, e isso ele não cita, não cita o verso onde Jesus diz:”Eu e o Pai somos Um”, porque isso iria comprometer o seu discurso.

A citação dele a respeito de seguir toda a Lei, é outro absurdo, pois a pena de morte contida nos livros da Lei não condiz com o ensinamento de amor de Jesus, que disse: “Quem estiver sem pecado atire a primeira pedra”, naquele momento a Lei ja era, não podia ser mais aplicada por causa de Jesus. Ele então, nos livrou da Lei, disse Paulo, mas ele evita esse assunto. É muito esperto.

Mas ele continua citando o Antigo Testamento ou o Alcorão para se justificar, inclusive com o apedrejamento de mulheres. Cita a Lei das coisas impuras que o Livro de Atos diz que já não é mais assim. Pedro aprendeu isso, mas ele foge da prática do evangelho de como viviam os cristãos primitivos, adorando a Jesus e deixando cada vez mais a Lei de Moisés. Ele nem ousa falar de Paulo, pois esse fugiu do judaísmo e aceitou os estrangeiros sem impor nem os costumes nem a Lei de Moisés. Paulo seria o típico cristão, e poderia ser considerado um traidor tanto pelos judeus como pelos muçulmanos.

Ironicamente ele diz que os muçulmanos são mais cristãos do que os que se dizem cristãos, pelo fato de não comer carne de porco nem beber vinho. De forma que segue o Antigo Testamento dando ênfase à comida e bebida, e muitas outras regras que falou não aprovou, e fez duras críticas aos crentes de Galácia por causa da Lei. A Lei ou a Graça? Perguntou aos Gálatas.

Ele fala da vinda do Espírito Santo, não sei se ele quer dizer de Maomé, ou se aceita a descida do Espirito Santo no Cenáculo.

Finalizando, achei o máximo, mas é um testemunho de um muçulmano preso ao Alcorão tal qual o judeu na Torá.

Como ele acha que Maomé é que trouxe a revelação perfeita, a história da Igreja para ele não é nada, e fica preso no literalismo, ele despreza tanto a história que nem aceita os comentários dos escritores dos Evangelhos, mas apenas o que vem em vermelho.

 

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