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Publicado por em dez 24, 2013 em Bispo Inaldo Barreto, Blog, Notícias | Ninguém comentou

A IGREJA E O ESPÍRITO DO MUNDO

A IGREJA E O ESPÍRITO DO MUNDO

“Weltgeist” ( O espírito do mundo)

Um diálogo apresentado na Folha de São Paulo entre dois comerciantes: “- Você está preparado para o espírito do Natal? – Sim respondeu o outro: “- Já pesquisei a concorrência, refiz a tabela de preço”.

“Sabe, porém, o seguinte: nos últimos dias sobrevirão momentos difíceis.”
(II Timóteo 3.1) BJ.

Introdução:

Quero iniciar parafraseando Aldous Huxley: A sobrevivência da igreja depende da habilidade  que seus membros devem possuir para fazer escolhas realísticas à luz de informações adequadas. A rebelião que costuma gerar igrejas oportunistas, mantém os membros sob censura e a distorção dos fatos, apelam não para a razão não para a iluminação interior que cada membro deveria  receber do púlpito. Antes pelo contrário, pastores e pastoras apelam  para o que Hitler chamou de: “Hidden forces”(Forças ocultas)  presentes no inconsciente  mais profundo da mente humana que eventualmente fluem para seduzir o povo, são lideres que lideram debaixo da sombra  de Jezabel, de Nicolau e dos escroques.

I- A Igreja e o espírito do tempo

Podemos citar alguns exemplos dessas igrejas que nasceram sob o auspício do “Zeit Geist”, o espírito do tempo. Lembram-se de um craque da Seleção Brasileira, um famoso jogador do time espanhol? Ele se desligou da sua igreja não por causa de doutrinas, mas por outros motivos, e logo depois proclamou que iria abrir uma Igreja; (parece que voltou atrás e desistiu) a mulher dele incentivava. Mas esse modelo de Igreja é bem mais próximo de uma lavanderia do que realmente uma igreja. Por que Lavanderia? Por que o marido capitalista abre uma igreja e no Altar lava o dinheiro do Caixa2. Ou pega seu dízimo e entrega religiosamente para si mesmo. Após essa lavagem, a Igreja que é isenta de impostos, compra uma Ferrari e o pastor milionário passar a passear de carro importado sem ter que declarar no imposto de renda, a renda e os bens adquirido para o seu uso particular. De vez em quando você ler nos jornais sobre Celebridades que se transformam em pastores do dia para a noite. Não é à toa que pensam em abrir Igrejas, existe na maioria das vezes, um interesse em Lavar dinheiro.

No Antigo Testamento temos a figura emblemática de Jezabel, como dizia Demócrito no séc. V a. D “uma mulher é muito mais fina do que um homem para maus pensamentos” . Religiosamente, essa mulher ordenou um jejum, pensando em riquezas, em dinheiro, em como se tornar mais rica roubando e matando. Disse Jezabel: ” Apregoai um jejum e trazei Nabote para a frente do povo. Fazei sentar defronte dele dois homens malignos, que testemunhem contra ele, dizendo: “Blasfemaste contra Deus e contra o rei. Depois, levai-o para fora e apedrejai-o, para que morra”. Como a religião era estatal, tudo se ligava ao serviço religioso, o rei era o ungido e  para ela foi mais uma cerimônia. Mas a consequência foi grave para Jezabel, o profeta disse a ela: “Mataste e, ainda por cima tomaste a herança? No lugar em que os cães lamberam o sangue de Nabote, cães lamberão o teu sangue”. Essa história toda é contada no livro de Reis no capítulo 21 a partir do versículo 8.

Essa figura ignóbil é transportada para o Novo Testamento com o mesmo espírito, isto é, debaixo da sombra do, Weltgeist, o espírito do mundo.
Na Igreja de Tiatira ela aparece como profetiza, “Jezabel, que a si mesma se declara profetisa” ( Ap 2.20). Um aspecto religioso forte e cheio de autoridade, Profetisa!

A figura masculina que simboliza o o falso pastor que caminha debaixo da sombra deste mundo, no espírito do mundo, é aquele que ama o dinheiro, no Evangelho de Lucas é chamado de amantes de Mamom, uma divindade inspirada no rei Midas que tudo transformava em ouro mediante um simples toque. Paulo o  denominou de :  ” Escroque”, indivíduo que se apodera de bens alheios por manobras fraudulentas. ( I Timóteo 3. 8). Outra figura emblemática é de Nicolau, esse personagem era influente e conquistava as pessoas na igreja de Pérgamo. Curiosamente esse é o nome que  deu  origem a Santa Claus, o conhecido Papai Noel, o representante oficial do “espírito do mundo”, exatamente na data sagrada do suposto dia em que nasceu Jesus, o Salvador.

É assim que o ” Weltgeist,” espírito do mundo permeia não somente a Economia e a Tecnologia, mas tudo o que há no mundo. E a Igreja não está livre desse “espírito”.  Grandes capitalistas entre eles cristãos endinheirados incentivam  suas mulheres a abrirem Igrejas para lavar o Caixa2. Essas Igrejas deveriam pagar Imposto de Renda. Uma igreja que não consegue provar que é uma Igreja deve ser convidada a  encerrar suas atividades religiosas, e se quiser que abra uma Casa Comercial. Essa Igreja-Lavanderia é  semelhante às empresas  abertas pelos mensaleiros da república que estão presos em Brasília.

I- O Natal e o espírito do mundo

O Natal como festa religiosa é festejado na Igreja, e um jantar entre os irmãos é coisa sagrada, fizemos isso na Sede, com a consciência limpa, tendo assistido na medida do possível aos pobres da igreja que são poucos e aos que estão fora da igreja, além de lhes haver pregado a palavra. Mas temos que avançar.

O Natal deve ir além das festas e da fraca concepção de um Cristo meramente nascido numa manjedoura, e depois crucificado.  Essa fase foi conquistada e a página foi virada. Lembramo-nos da Cruz por dois motivos relevantes. Nossa Salvação e Nossa vida diária, mas não podemos nos tornar pregadores melancólicos; falando da Cruz e se esquecendo da Ressurreição. Somos salvos na morte, mas vivemos pela ressurreição.

Depois disso, Cristo é o Senhor Glorificado, é como Paulo disse : “Nosso Grande Deus e Salvador Jesus Cristo”. Devemos fazer discípulos sem se importar com a Cultura, fazendo como disse Carl Barth, “impingindo-a diligentemente”. Mas fugindo dessa aparência do mal, jamais permitindo que a igreja se torne um local para lavagem de dinheiro.

II- Sob sua sombra

Sombra é uma palavra equivalente a presença. Não era a sombra de Pedro que curava, mas a sua presença, da mesma forma que não é a nossa sombra que protege, mas a nossa presença que reflete a presença de Cristo, aquela consolação que recebemos com a qual também consolamos outros.
No Livro de Lamentações fala de uma sombra que nos protege. Eles falaram da sombra decepcionados com a prisão do ungido. A mesma decepção que foi manifestada pelos discípulos a caminho de Emaús, “Nós achávamos que seria ele quem haveria de resgatar Israel”, esse lamento conduz o membro para o caminho da divisão, e logo ele pensa em abrir uma igreja, se for rico abre uma igreja-laranja.

O papel da igreja no mundo Pós-moderno é uma luta sem fronteiras, temos que a todo tempo enfrentar os falsos doutores, falsos profetas, falsos apóstolos, enviados muitas vezes pelo “pai da mentira”. Muitos estão a falar na televisão pedindo desesperadamente dinheiro para engordar a carteira dos empresários que lhes concederam um horário na madrugada para “pregar o evangelho”.

III- O espírito do tempo e o Evangelho

A Escritura é a verdade, deve ser interpretada. O conteúdo bíblico deve ser examinado, cuidadosamente, a interpretação deve ser pautada pela misericórdia, e pela inferindo de forma exata do que vem a ser suas premissas. Temos que manter distância   dos falsos profetas e falsos apóstolos que reivindicam para si uma autoridade que foge da história da Igreja, dos pais da igreja e da igreja primitiva.
Um dos pilares mais atacados pelo “espirito do mundo” é, o nascimento virginal do Salvador, se isso for tirado, nossa fé sofre um abalo. Se Jesus tem um pai humano, se sua vida tem apenas uma origem humana, então sua divindade para ser admitida deve passar inevitavelmente pelo Adocismo e quase tudo se perde pelo caminho.

IV-O espírito deste mundo

O Evangelho de João fala de uma sombra que é semelhante ao “espírito do tempo”, porque este também é uma sombra, “Para alumiar os que jazem nas trevas e na sombra da morte, e dirigir os nossos pés pelo caminho da  paz.”.” ( Lucas 1.79).

Para o alemão a sombra deste mundo pode ser designada como: Zeit Geist, o espírito do tempo; e,  Weltgeist, o espírito do mundo. Nada escapa a essas duas forças invisíveis e poderosas. A soma da Economia mais a Tecnologia, que espalha a sua sombra por todos os lugares, que influenciou decididamente Jezabel na antiguidade e influência até hoje os que amam a sombra deste mundo mais do que a Deus. Pois todos nós vivemos e dependemos do progresso para o nosso conforto. Mas quando trocamos a igreja pelo conforto, entramos no “Weltgeist”, o espirito do mundo.

Vivemos debaixo da “sombra” deste mundo, também conhecida como “mão invisível”, aquele progresso que avança e ninguém consegue detectar exatamente de onde vem, mas ele é reconhecido.

Quando vamos ao Shopping Center lá está ele, quando vamos à escola lá está ele, quando estamos em casa e ligamos a televisão lá está ele, nas novelas imperam com incisiva maestria.
Mas também vivemos sob a proteção divina, e a Sombra do onipotente nos protege, e descansamos  debaixo da Sombra de Cristo. Vamos então para o próximo capítulo.

IV- Sombra do alto.

(Salmo 91.1)
No Antigo Testamento a ideia de se acomodar debaixo de uma sombra é comum, essa experiência fez nascer a metáfora do descanso debaixo da sombra de Deus. Assim eles cantavam declarando e pedindo a proteção do Senhor: ” Aquele que vive na habitação do Altíssimo e descansa à sombra do Todo-Poderoso desfrutará sempre da sua proteção”. Mesmo dentro da crise religiosa, da crise natalina, do desconforto produzido pelo anúncio do “espírito natalino”. Temos segurança em Cristo, e devemos ter consciência do verdadeiro significado do Natal.

V- Espírito melancólico.

Tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento, temos exemplos de decepção em relação à proteção. Quando o Rei Joaquim é preso nas armadilhas dos perversos, eles cantam decepcionados: “o mesmo líder de quem dizíamos; Debaixo de sua sombra viveremos entre as nações”
Quando  o Messias é preso no Novo Testamento, eles dizem: “Nós achávamos que seria ele quem haveria de resgatar Israel”.
E hoje  quando as coisas não vão bem, alguns cristãos reclamam: ” Ele me abandonou”.

Mesmo longe da Igreja, encontramos vozes que  entoam esta canção, Jean Marie Voltaire, disse, “Esse nos abandonou”.

O mundo se decepcionou com Cristo, porque as guerras e rumores de guerras, as injustiças e o mal em geral continua. Muita coisa melhorou, mas o homem não tem colaborado, pois um mundo melhor exige uma tomada de posição por conta dos homens de bem, e muito mais pelos homens da Igreja.

V- O Espírito de Cristo.

A sombra do Senhor é um tanto quanto abstrata do ponto de vista físico, mas real do ponto de vista do sobrenatural. Portanto todos nós também vivemos debaixo de sua Sombra, ou sua presença. A sombra de Pedro não curava, o que curava era a sua presença. Nós somos a sombra de presença de Cristo, as pessoas se aproximam de nós em busca de descanso.

É a sombra do Todo-Poderoso que projeta nossa sombra como testemunho forte perante o povo. Eu e você somos a sombra de Cristo na terra, além da sombra cósmica que ele projetou sobre todo o mundo.

Conclusão

O espírito do tempo, “Zeit Geist” está por toda parte, infiltra-se em todos os lugares, e na Igreja ele encontra campo fértil para produzir divisão e promover por meio de sentimentos suaves de ganância, a igreja-lavanderia.

No Natal que é uma festa cristã, o espírito do mundo “Weltgeist” tem se manifestado com grande poder, a ponto de deixar a igreja perplexa sem saber com fugir desse “espirito natalino” para comemorar o verdadeiro natal, “Cristo em nós a esperança da glória”.
Então, nos resta viver nesse mundo consciente de que o verdadeiro “espírito natalino” é aquele que advém do Espírito Santo, um sentimento de uma nova vida para um novo mundo, agora e ainda não.

Bispo Primaz I.F. Barreto
Nota: O termo, espírito do tempo, Zeit Geist, e o espírito do mundo, Weltgeist, foi usado alternadamente no texto.

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